quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Novo plano de tecnologia oferece mais opções e exige colaboração


Atualização da rede de internet e aquisição de computadores vai exigir plano que leva em conta visão sobre a importância da tecnologia, formação de equipes, recursos digitais e da infraestrutura 

por Vinícius de Oliveira

 

Sai a política do pacote fechado e único para todas as escolas e ganha espaço um modelo mais flexível e adaptado às necessidades dos alunos. Se de um lado tenta atender a uma antiga demanda, por outro cobra esforço e maior de colaboração da gestão pública. É isso o que está previsto no desenho do plano Educação Conectada anunciado pelo governo federal no final de 2017 e que começa a ter os primeiros desdobramentos. Para entender como diferentes setores dos governos estão se movimentando para avançar em relação ao PBLE (Plano Banda Larga nas Escolas), que em 2018 completa 10 anos de vida, o Porvir conversou com representantes do MEC (Ministério da Educação), do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e do CIEB (Centro de Inovação para a Educação Brasileira), organização que foi parceira técnica na elaboração do plano.

De acordo com a nova política de tecnologia, as ações dos diversos níveis da administração pública precisam levar em conta quatro dimensões, aliás, as mesmas que constam na seção infraestrutura do guia Tecnologia na Educação publicado pelo Porvir em 2016, também com apoio do CIEB. São elas: visão, formação, recursos educacionais digitais e infraestrutura (clique para acessar o guia). Com elas em mente, gestores estaduais, municipais e escolares devem rodar um diagnóstico dentro de suas redes para avaliar o uso da tecnologia e criar um plano de inovação.

Segundo Renilda Peres de Lima, diretora de apoio às redes de educação básica do MEC, no relatório devem ser descritas todas as ações que serão desenvolvidas para inserir alunos, professores e gestores no ambiente de cultura digital. “O plano precisa responder como o gestor, o professor ou a escola desejam ampliar o acesso tanto do aluno quanto do professor a recursos e práticas inovadoras”, diz.

Em 2016, o CIEB rodou em 14 estados e no Distrito Federal uma versão semelhante à ferramenta de diagnóstico que será adotada dentro do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do MEC descobriu que infraestrutura é o principal gargalo (somente 3% das escolas contam com computadores dentro de todas as salas de aula) e a formação limita o uso da tecnologia durante as aulas (69% dos professores utilizam tecnologia apenas para preparar as aulas ou fazer apresentações).

Para redes que por iniciativa própria decidiram contratar um serviço mais rápido que os 2 Mbps oferecidos pelo PBLE e renovar os computadores em uso nas escolas, a diretora do MEC afirma que a intenção não é sobrepor, mas sim coordenar ações. “Tivemos um ano de discussão e maturação das propostas já existentes nos entes federados (estados e municípios) para aproveitar as políticas locais e levar assistência técnica e financeira para que a política de tecnologia seja colocada em prática com sustentabilidade”, diz Renilda. Essa parceria, segundo ela, é importante especialmente para a esfera municipal. “Existem muitos municípios com quadro reduzido de funcionários, escolas de difícil acesso e poucos recursos técnicos e financeiros, o que resulta em dificuldades para desenhar uma política local”, avalia.

Ao longo de 2018, o governo federal prevê investir R$ 255,5 milhões na atualização da infraestrutura e da conexão das escolas, o que inclui a ampliação da rede terrestre de banda larga, serviços de conectividade, infraestrutura de wi-fi, compra de dispositivos e aquisição de um satélite que vai levar internet de no mínimo 10 Mbps a escolas da zona rural.

Formação de professores e gestores

Como detectado pelo CIEB, a formação é um ponto crítico dentro da estrutura de tecnologia escolar e, pela proposta do Educação Conectada, serão criadas estruturas de articulação e coordenação dentro das redes para planejar e implementar com os gestores e professores as quatro dimensões previstas no plano. “O MEC está preparando um curso online em parceria com o CIEB para formar os articuladores e coordenadores. O sistema foi desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás e já está indo para o ar para que os articuladores comecem os trabalhos nas próximas semanas”, diz Mairum Andrade, superintendente de inovação do CIEB. De acordo com as regras do programa, deve haver pelo menos um articulador local por ente federativo.

Segundo o MEC, cursos específicos para professores ainda estão em fase de desenvolvimento por universidades públicas. Na formação inicial, os currículos para o uso pedagógico da tecnologia terão obrigatoriamente que conversar com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Enquanto isso, na formação continuada, a formação online deve ter trilhas alinhadas à BNCC e também cursos específicos sobre práticas mediadas por tecnologia ou voltadas outros recursos educacionais, como robótica.

Novos equipamentos

Desenvolver novas metodologias para diversificar o ensino vai exigir um novo esforço para renovar os equipamentos presentes nas escolas. Se na década passada a política foi pautada pelo acesso, agora, segundo Andrei Elias Amaral, assessor da diretoria de tecnologia do FNDE, a intenção é adquirir máquinas mais robustas, que tenham maior expectativa de vida, garantia ampliada e permitam o uso de simuladores e tarefas que vão além da simples pesquisa na internet – e não apenas em laboratórios, pois deve ser estimulado o uso de carrinhos de recarga que chegam com tablets e notebooks até a sala de aula.

Outra novidade é a abertura de uma frente para que seja possível aproveitar o dispositivo dos alunos (celulares, tablets ou computadores), com o devido monitoramento do acesso.

“Com um registro do aluno, usuário e senha, mesmo que o aluno use um dispositivo próprio, será possível rastrear o que ele está acessando. Antes, o FNDE recebia denúncias (de mau uso) e não havia como atender. Hoje, isso é obrigatório por conta do Marco Civil da Internet”, diz Amaral.

Para que isso seja possível, o antigo roteador que em muitas escolas fica perto da porta de entrada, precisará dar lugar a equipamentos mais completos. “É um salto qualitativo que é essencial. Estamos pensando em firewall, controle de acesso, filtro de conteúdo, com métricas para ver se a internet que chega corresponde a que foi contratada”, explica.

Uma audiência pública com as especificações aprovadas por um comitê de tecnologia do FNDE deve ser lançada em março. Por conta do período eleitoral e das regras que impedem novas contratações a partir do meio do ano, o representante do FNDE preferiu não antecipar a abertura de novos editais.

Fonte: http://porvir.org/novo-plano-de-tecnologia-oferece-mais-opcoes-e-exige-colaboracao/

 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Escola no contraturno usa metodologias ativas para formar pequenos inventores


Com foco na cultura maker e na aprendizagem criativa, a Escola de Inventor promove atividades extracurriculares para trabalhar ciências e desenvolver competências 

por Marina Lopes

Em cursos que recebem o nome de grandes cientistas, como Galileu Galilei, Arquimedes e Isaac Asimov, crianças e jovens aprendem matemática, ciências, robótica, programação e pensamento computacional. Tudo isso enquanto solucionam desafios e colocam a mão na massa. Essa é a proposta da Escola de Inventor, uma startup educacional de Ribeirão Preto (SP) que usa métodos ativos de aprendizagem para estimular o desenvolvimento de competências e habilidades do século 21.

Com a oferta de atividades no contraturno, a escola está baseada em pilares da cultura maker e da aprendizagem criativa. Por meio de diferentes estratégias, os alunos se envolvem na condução de projetos e são incentivados a trabalhar em equipe para executar tarefas. Para dar conta desses desafios, eles usam os métodos do design thinking, que combina pesquisa, empatia, geração de ideias e prototipações para se chegar à inovação, e do scrum, que entra no momento posterior à formatação da ideia para ajudar os alunos a dividirem pequenas partes de um projeto, elencando prioridades e o tempo de execução de cada etapa.

A escola funciona no interior paulista desde julho de 2015 e surgiu a partir de uma necessidade identificada pelos idealizadores. “Percebemos que a educação tinha um déficit na parte de trabalho em equipe e resolução problemas voltados para o século 21″, conta Fábio Javaroni, coordenador da Escola de Inventor.

O que no início eram apenas aulas de programação e robótica, segundo ele, evoluíram para a experimentação de assuntos de ciências e matemática de forma prática. “Pegamos um pequeno grupo de alunos e começamos a dar aulas, mas chegou um momento em que percebemos que eles mais copiavam do que absorviam os conteúdos”, recorda, ao mencionar que a adoção de metodologias ativas garante maior envolvimento dos estudantes e também ajuda a desenvolver habilidades de comunicação, trabalho em equipe e criatividade.

Em diferentes cursos oferecidos pela escola, que envolvem aulas semanais de 2 horas, tudo começa com um questionamento. “Instigamos a curiosidade das crianças e jogamos uma pergunta para elas”, explica o coordenador. Para solucionar o desafio proposto, as crianças precisam colocar a mão na massa, experimentar e aprender a lidar com o erro.

“Damos um objetivo, e as crianças precisam cumprir da melhor maneira possível”, diz Thiago Pantaleão, professor dos métodos de design thinking e scrum da Escola de Inventor. Ele ainda conta que os alunos são livres para pensarem nos caminhos de resolução de cada problema. “Fizemos com eles um foguete de papel, e um menino teve a ideia de colocar um paraquedas na ponta do foguete para ver o que acontecia quando ele era lançado. Em um desafio com carrinhos de LEGO, eles também fizeram construções em formatos absurdos que davam certo”, exemplifica.

Com a missão de construir um avião que pudesse planar por algum tempo no ar, a aluna Ana Maria Tonetto Figueiredo, 12, precisou fazer vários testes e teve que aprender a calcular do centro de gravidade do objeto. “A gente não fez aqueles aviões de papel que você joga e depois cai. Foi bem legal colocar a mão na massa“, conta.

As aulas e projetos no contraturno, segundo ela, também já foram úteis para desenvolver trabalhos da sua escola regular. “Teve coisas que ficaram mais fáceis, como por exemplo alguns projetos de ciências que a gente faz. Eu fui muito melhor”, avalia a menina, que está no sétimo ano do ensino fundamental. “Eu também já usei o [método] do scrum para fazer a maquete de uma estação de tratamento de água na escola.”

Ana participa dos cursos da escola de inventores desde que tinha 10 anos. “Colocar a mão na massa foi o que nos motivou a procurar a escola. Ela também sempre teve muito interesse pela ciência, esse foi outro motivo”, diz o pai da aluna, o professor Luis Gustavo Figueiredo, 43.

Já o engenheiro Paulo Cassim, 45, diz que procurou a escola para o filho por gostar muito da área de exatas e tecnologia. “Como o André também gosta muito disso, optamos por dar essa oportunidade para ele”, conta o pai.

Entre as aulas de inglês e italiano, na agenda de atividades extracurriculares do menino também estão os projetos da Escola de Inventor. “Eles conseguem explicar as coisas de um jeito bem simples e tentam dar muitos exemplos”, opina André Cassin, 13. No oitavo ano do ensino fundamental, ele conta que está vendo plano cartesiano na sua escola, mas já tinha aprendido esse conteúdo nas atividades do contraturno. “A gente viu plano cartesiano para montar programas de computador. Eu não tive dificuldade quando a professora começou a explicar na escola, mas percebi que alguns alunos não entenderam.”

Com a experiência adquirida nos cursos extracurriculares, o coordenador Fábio Javaroni diz que, nos próximos anos, a ideia é transformar a Escola de Inventor em uma instituição regular de ensino fundamental. “Queremos fazer uma escola em que os alunos tenham total protagonismo, abrangendo os conteúdos da BNCC (Base Nacional Comum Curricular)“, conclui.

Fonte: http://porvir.org/escola-no-contraturno-usa-metodologias-ativas-para-formar-pequenos-inventores/

 

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Investimento para ampliar o ensino de robótica

Matéria exibida no Bom Dia Brasil no dia 23 de janeiro de 2018 "Governo investe R$ 100 milhões para ampliar ensino de robótica".

Clique na imagem e assista o vídeo
https://globoplay.globo.com/v/6441050/programa/

Iniciativa beneficiaria escolas públicas, mas educadores ponderam que a falta de planejamento já levou outros bons projetos ao fracasso.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

4 riscos do uso incorreto da tecnologia nas escolas

 

Pesquisadora discute a ameaça à privacidade de dados dos alunos e a ética na relação entre escolas e empresas que fornecem equipamentos e sistemas

 

por Diane Ravitch, para o EdSurge

Em qualquer momento do dia, estou ligada ao meu celular, meu iPad ou meu computador. Como escritora, eu me converti cedo ao computador. Comecei a escrever em um TRS-80, em 1983, no maravilhoso software de edição de textos chamado WordPerfect, que desapareceu misteriosamente. Eu tinha dois TRS-80, porque um deles estava sempre no conserto. Eu amo o computador por muitas razões. Eu não precisava mais cobrir meus erros com corretivo; e não precisava mais redigitar um artigo inteiro por causa dos erros. Minha caligrafia é quase completamente ilegível. O computador é uma dádiva de Deus para um escritor e editor.
Eu tenho visto professores que usam tecnologia para inspirar investigação, pesquisa, criatividade e entusiasmar. Eu entendo o que é uma ferramenta poderosa.
Mas também está cheio de riscos, e a indústria da tecnologia não tem agido o suficiente para solucioná-los.

Veja os guias do Porvir e se aprofunde no assunto

Risco 1: Ameaça à privacidade dos estudantes
 
O risco um é a invasão da privacidade dos alunos, utilizando dados das empresas de tecnologia coletadas quando os estudantes estão online. A história de inBloom é um caso exemplar. Financiado em 2014 com US$ 100 milhões da Fundação Gates e da Carnegie Corporation, a InBloom pretende coletar enormes quantidades de dados de alunos pessoalmente identificáveis ​​e usá-lo para “personalizar” a aprendizagem para cada aluno.
Os pais ficaram alarmados com o plano de colocar os dados de seus filhos na nuvem online e se mobilizaram em comunidades e estados para deter a inBloom. Eles não ficaram nem um pouco impressionados com as possibilidades de ensino orientado por dados como os empreendedores que promovem a InBloom. Os pais ganharam. Um estado após o outro nos EUA pularam fora e a inBloom entrou em colapso.
Embora a inBloom esteja morta, a ameaça para a privacidade dos alunos não é. Cada vez que um aluno faz digita algo, um algoritmo em algum lugar está coletando informações sobre ele. Os seus dados serão vendidos? O benefício para empreendedores e corporações é claro; o benefício para os alunos não é.

Risco 2: Proliferação de “aprendizagem personalizada”
 
A aprendizagem personalizada, ou “educação baseada em competências”, são ambos eufemismos para ensino adaptativo por computador. Novamente, uma rebelião dos pais está se formando, porque eles querem que seus filhos sejam ensinados por um ser humano e não por um computador. Eles temem que seus filhos sejam mecanizados, padronizados, submetidos ao ensino despersonalizado, e não à “aprendizagem personalizada”. Enquanto muitos empresários estão investindo em software para capturar essa indústria em expansão, ainda não há evidências sólidas de que os alunos aprendam mais ou melhor quando ensinados por um computador.

Risco 3: Uso extensivo de tecnologia para avaliação
 
A tecnologia é altamente compatível com provas padronizadas, o que encoraja a elaboração de questões padronizadas e de respostas padronizadas. Se o objetivo do aprendizado é ensinar a criatividade, a imaginação e a tomada de riscos, a avaliação deve encorajar os alunos a serem pensadores críticos, não aceitando o saber convencional e checando a resposta correta. Além disso, a capacidade dos computadores para avaliar as redações ainda está aquém do esperado e pode continuar assim. O professor Les Perelman no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA) demonstrou que os ensaios cujas notas foram dadas por computador podem obter altas pontuações com bobeiras que as máquinas não têm a “inteligência” para raciocinar ou entender o que mais importa na escrita.

Risco 4: Dinheiro em Edtech
 
A indústria de tecnologia usa seu dinheiro de forma duvidosa para vender seu produto. O mercado de tecnologia está crescendo, e uma grande indústria está pairando em torno das escolas, ansiosa por seus negócios. Em novembro de 2017, o New York Times denunciou uma série de práticas comerciais ilegais da indústria de tecnologia no condado de Baltimore. Foram revelados casos de suborno (o popular jabaculê), tráfico de influência e pagamento de encontros e jantares caros para funcionários das escolas, o que resultou em quase US$ 300 milhões de gastos em computadores que receberam avaliação baixa por avaliadores e logo ficaram obsoletos. Isso, em um distrito que negligenciou a manutenção básica de infraestrutura de alguns de seus edifícios.
O maior medo dos pais e professores é que a indústria tecnológica queira substituir professores por computadores. Eles temem que os líderes empresariais queiram reduzir custos ao substituir seres humanos caros por máquinas baratas, que nunca requerem cuidados de saúde ou uma previdência social. Eles acreditam que a educação requer interação humana. Eles preferem experiência, sabedoria, julgamento, sensibilidade, sensatez e compaixão dentro da sala de aula do que a frieza e a estática superioridade das máquinas.
Eu concordo com eles.

* Diane Ravitch é pesquisadora em educação na Universidade de Nova York e historiadora da educação. É fundadora e presidente da NPE (Network for Public Education) e autora do blog dianeravitch.net. Texto publicado originalmente no EdSurge e reproduzido mediante autorização

Fonte: http://porvir.org/4-riscos-do-uso-incorreto-da-tecnologia-nas-escolas/

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O que você sabe sobre o uso da tecnologia por crianças?

Em artigo, Rafael Parente responde seis perguntas sobre os benefícios e perigos do contato de crianças com ferramentas digitais. Teste seus conhecimentos

 

por Rafael Parente 

Em uma era em que os pais têm cada vez menos tempo para os seus filhos, nativos digitais, e as novas tecnologias invadem nossas casas, escritórios e escolas, os computadores, os tablets e smartphones têm sido usados para entreter, ensinar e acalmar. Não é um exagero se preocupar com o uso irresponsável ou sem planejamento dessas ferramentas, que fazem as vezes de “babás”. Se, de um lado, algumas empresas vendem suas soluções como milagres da ciência, que podem alfabetizar, ensinar matemática, ou línguas estrangeiras, a partir dos 4, 2 anos ou até dentro do útero; do outro lado há pais e educadores que defendem a proibição total das telas até o começo da puberdade. Mas o que a ciência realmente diz a esse respeito? Chegou a hora de avaliar o seu conhecimento sobre o assunto.

A boa utilização de novas tecnologias por crianças é possível?

As mídias interativas devem ser utilizadas de forma intencional e apropriada, como apoio à aprendizagem e ao desenvolvimento. Precisamos reconhecer que cada criança é única, e esse uso deve ser apropriado à idade, ao nível de desenvolvimento, e aos contextos sociais e culturais. As soluções devem criar uma experiência ativa e interativa, dando controle às crianças, aumentando a sua motivação e o seu engajamento com o conteúdo. Jogos digitais e plataformas adaptativas precisam auxiliar as crianças e jovens na construção de novas competências e habilidades dentro do seu próprio ritmo, sendo uma opção em um leque de estratégias de ensino. O foco principal deve ser na qualidade da prática e na didática, ao invés de na tecnologia.

O que você (professor, gestor ou responsável) deve levar em consideração?

Essa utilização intencional e planejada requer que educadores, gestores e famílias tenham informações suficientes sobre a natureza das soluções tecnológicas e suas consequências. Precisamos avaliar se o uso das novas tecnologias é uma estratégia mais efetiva do que materiais e métodos mais tradicionais para o ensino das crianças ou para um currículo específico. Não podemos negar que essas ferramentas têm potencial para melhorar o ensino, quebrar barreiras de tempo e espaço, para criação e comunicação (inclusive entre educadores e familiares sobre a produção, o progresso e as necessidades das crianças e dos jovens). Entretanto, a decisão de investir ou não recursos finitos em novas mídias deve considerar o custo-benefício (inicial e de manutenção) e todos os detalhes relacionados à infraestrutura (eletricidade, internet e materiais adicionais), os conhecimentos e a vontade dos adultos que vão mediar a nova experiência.

O tempo de uso deve ser limitado? Qual deve ser o limite?

A limitação do tempo de uso é fundamental. Um estudo da Universidade da Califórnia concluiu que as crianças americanas estão passando cada vez mais tempo em frente às telas e isso está diminuindo a sua capacidade de reconhecer as emoções das outras pessoas, algo essencial para o desenvolvimento de empatia, por exemplo. Enquanto boa parte das crianças e jovens passam pelo menos 4 horas por dia em frente a TVs, computadores, tablets e smartphones, as últimas recomendações científicas orientam que familiares e professores precisam limitar o tempo em frente às telas a 2 horas diárias para crianças e jovens entre 3 e 18 anos. Os cientistas também recomendam proibir o uso passivo de TVs, vídeos e outras tecnologias não-interativas e qualquer mídia com crianças menores de 2 anos, e desencorajam o uso passivo e não-interativo com crianças entre 2 e 5 anos de idade. Qualquer utilização de tecnologias com bebês de até 2 anos deve ser limitada a ferramentas que estimulam e reforçam as interações e os relacionamentos entre as crianças e os adultos. Por outro lado, quando utilizadas corretamente, dentro dos limites recomendados, mídias interativas podem melhorar (mas nunca substituir) brincadeiras criativas, explorações, atividades físicas (incluindo esportes e na natureza), e interações sociais.

Que problemas o uso excessivo pode causar?

Além de problemas em reconhecer emoções, pesquisas sérias já demonstraram que passar desses limites pode causar outros problemas graves para as crianças, como obesidade infantil, noites irregulares de sono e dificuldades em se comportar socialmente. A nossa espécie evoluiu em um ambiente onde só havia interações presenciais e nossas competências socioemocionais dependem dessas interações – esse é um fato também para pessoas adultas! As famílias e as escolas devem criar momentos de discussão sobre o que seria uma “dieta midiática saudável” para que crianças e os adultos consigam fazer boas escolhas de que mídias utilizar e durante quanto tempo. Não é demais lembrar que as novas tecnologias nunca deveriam ser usadas quando apresentam riscos emocionais ou físicos, e quando apresentam conteúdos desrespeitosos, perigosos ou intimidantes, incluindo a exposição a violências de todo o tipo, ou conteúdo sexual inapropriado para a idade.

O que isso tudo tem a ver com cidadania digital e inclusão?

É importante refletir sobre a cidadania digital e a inclusão, nesse contexto. Durante o uso das novas ferramentas tecnológicas, os adultos devem dar todo o apoio necessário para que todas as crianças e jovens possam refletir, fazer perguntas apropriadas e pensar criticamente sobre a experiência. Como a melhor forma de ensinar é pelo exemplo, os adultos precisam demonstrar o que é um comportamento exemplar de cidadania digital, com o uso apropriado e ativo dos vários tipos de mídias para que a aprendizagem aconteça de maneira positiva, responsável, saudável, segura e inclusiva. Em outras palavras, é necessário, também, se preocupar com a equidade no acesso a boas experiências interativas. Pesquisas demonstram que é menor o acesso de crianças de famílias com menor poder aquisitivo e de crianças com algum tipo de deficiência a soluções tecnológicas, o que significa que essas soluções podem estar contribuindo para o aumento do déficit de aprendizagem nesses grupos.

Já temos todas as respostas?

De forma alguma. É impossível imaginar como as tecnologias evoluirão em alguns anos ou quais serão utilizadas (e de que forma) quando as crianças de hoje se tornarem adultas. Sabemos, contudo, que familiares e educadores precisam estar atualizados e ensinar como selecionar, usar, integrar e avaliar as novas tecnologias. Leituras constantes e formação continuada são essenciais. Governos, empresas e organizações do terceiro setor precisam investir constantemente em novas pesquisas que contribuam para um conhecimento mais aprofundado dessas questões e para a compreensão dos efeitos a longo prazo. Políticas e práticas devem ser fundamentadas nos achados científicos para que o uso das novas tecnologias seja cada vez mais intencional e bem estruturado para todas as crianças, apoiando experiências ativas, “mão na massa”, criativas e engajadoras.

Fonte: http://porvir.org/voce-sabe-sobre-uso-da-tecnologia-por-criancas/

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Curso gratuito de Inkscape da Livre Labs

Este vídeo é um convite para participar do curso de Inkscape da Livre Labs. Ele é um curso gratuito e aberto a qualquer pessoa interessada. Para participar, basta se inscrever com sua conta do Google na turma criada no Google Classroom.

Link para o Google sala de aula: https://classroom.google.com
Número da turma: 816yso7


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Como o design thinking pode ajudar a inovar a educação?

O crescimento e a disseminação dos avanços tecnológicos colocam o paradigma professor x aluno x sala de aula em evidência quando falamos sobre como promover a inovação nas salas de aulas.
Com uma abordagem relacionada a inovação, criatividade e solução de problemas, o Design Thinking (DT) chega para atender as necessidades dessa discussão.
Para Andrea Filatro, designer instrucional especializada em EAD, o DT contribui para o desenvolvimento de novas formas de pensar. Maneiras mais adequadas ao que se espera das pessoas hoje e no futuro.

“As ideias, crenças e teorias do passado não funcionam mais no cenário contemporâneo. E não se espera mais que as pessoas reproduzam os conhecimentos e a forma de pensar do passado.”

A especialista em Inovação, Educação e Tecnologia Bruna Nunes disse ser importante que os conteúdos curriculares, muitas vezes abstratos, encontrem significado na realidade tanto de quem aprende como de quem ensina.
“Nesse sentido, o design busca associar o processo de aprendizagem com a prática cotidiana, dando sentido à busca pelo conhecimento. É um desafio para que professores e estudantes apliquem os conhecimentos aprendidos para gerar novos conhecimentos.”

Empatia e aprendizado colaborativo

 

Uma das características do DT é a abordagem centrada no ser humano. Tal abordagem ajuda a acelerar a inovação e resolver problemas a partir de diferentes ideias ou visões.

“A utilização do DT permite a construção de itinerários de aprendizagem colaborativos e empáticos por estudantes e professores”, relatou Bruna.

A especialista ressalta que a tecnologia digital sozinha não faz milagres. “Para ser eficaz, a tecnologia precisa estar associada a abordagens educacionais que lhe dê sentido pedagógico.”
Andrea defendeu a ideia de que inovação não é apenas o que acontece nos laboratórios científicos ou nos centros de pesquisas das grandes empresas internacionais.
“O DT oferece uma metodologia simples e de fácil compreensão. Dessa forma, não somos apenas consumidores de inovações, mas também criadores, que desenvolvem novas formas de pensar e de agir.”

Solução em cinco passos

 

Descoberta, interpretação, ideação, experimentação e evolução. São essas as cinco etapas trabalhadas no DT.
De acordo com Bruna, cada uma dessas fases se complementam. Embora possam ser usadas de maneira isolada ou recombinada, cada uma tem a sua importância quando aplicadas à educação.
A especialista defendeu, ainda, que se for analisado em linhas gerais, todo esse processo é, em suma, o próprio processo de aprendizagem.

No livro “Design Thinking em educação”, lançado este ano pela editora Saraiva,
Andrea e a professora Carolina Costa trabalham quatro, das cinco etapas.

“Cada etapa tem uma função específica na abordagem. Primeiro os alunos vão a campo para entender as pessoas envolvidas no problema e o contexto no qual estão inseridas. A partir daí seguem para a geração de ideias e, então, prototipam esse pensamento. Ou seja, criam representações visuais.”

 

Alunos responsáveis pela construção do aprendizado

 

Trabalhar no desenvolvimento de alunos protagonistas é um desafio diário para as instituições de ensino. Andrea enfatizou que ao serem desafiados a entender um problema educacional e então criar, prototipar e testar uma solução para esse problema, os alunos têm a oportunidade de articular teoria e prática.
Dessa forma, confrontam o que aprendem nos livros e nas atividades em sala de aula com o que acontece no “mundo real”. Seja nas relações sociais, políticas, culturais, seja no ambiente de trabalho.
O planejamento de aulas interdisciplinares associando o DT a outras metodologias ativas é um exemplo de como os educadores podem utilizar essa abordagem em sala de aula.
Bruna destacou também a aplicação do DT para estimular o trabalho colaborativo e o desenvolvimento de habilidades e competências, através de uma prática pedagógica dialogada.
“O Design Thinking proporciona um ambiente tranquilo e seguro, porém desafiante, em que professores e professoras tem a missão de guiar os jovens pelo caminho do aprender.”

Fonte: http://inoveduc.com.br/noticias/como-o-design-thinking-pode-ajudar-inovar-educacao/

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

NTE prorroga até 30 de agosto as inscrições para oficina de Ubuntu GNU/Linux

A Equipe de Capacitação do NTE informa que foram prorrogadas as inscrições para a oficina Ubuntu GNU/Linux Versão 16.04 LTS (2ª turma) até 30 de agosto. As inscrições podem ser feitas pela página do NTE, na guia "Capacitações" ou em "Cursos de Capacitação de 2017".
Público-alvo: professores da UFSM, profissionais do sistema UAB/UFSM (tutores e professores pesquisadores), servidores técnico-administrativos da UFSM, professores da rede básica de ensino, alunos de pós-graduação da UFSM e alunos de graduação da UFSM.

Mais informações pelo e-mail equipecapacitacao@cead.ufsm.br ou pelo telefone 3220-9512.

PPGE promove seminário "Desafios da Educação Brasileira em Tempos Sombrios"

 
Será realizada na próxima sexta-feira, 25 de agosto, a aula inaugural do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFSM, com o seminário "Desafios da Educação Brasileira em Tempos Sombrios". Entre os temas abordados nas palestras estão a escola de tempo integral e a reestruturação curricular nas licenciaturas. Uma mesa redonda fará, ainda, discussão sobre o "novo" Ensino Médio.
O evento tem início às 8h, no Itaimbé Palace Hotel.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na hora. Haverá certificado para os participantes.
Confira mais informações, como a programação completa e os palestrantes AQUI.